Mercado se consolida – Jornal do Commercio


Jornal do Commercio

Boa forma – Setor de fitness movimentou R$1,2 bilhão no Brasil ano passado. Número de academias de ginástica chegou a 12,7 mil, aquecendo negócios como fábricas de equipamentos e roupas, além de estúdios de pilates.

A crescente conscientização da população mundial em relação à importância de se cultivar hábitos saudáveis vem favorecendo a expansão de negócios relacionados à prática de exercícios.

No Brasil, a expansão da economia no ano passado permitiu a conquista do segundo lugar entre os países com maior número de academias de ginástica, posição pertencente à Itália até 2006. Os dados são da International Healtth Racquet and Sportsclub Association (IHRSA) e Fitness Brasil, que apontam ainda um vasto campo a ser explorado, abrindo espaço para empreendedores. É possível investir em negócios do setor de fitness aportando de R$ 10 mil a R$ 500 mil. No ano passado, o setor movimentou US$ 1,2 bilhão, segundo a Fitness Brasil.

Apesar do crescimento de 70% no número de academias no último ano (chegando a cerca de 12,7 mil), o país ainda ocupava a oitava posição entre os recordistas em número de praticantes, com apenas 4 milhões de adeptos a atividades físicas orientadas. Consultor especializado nesse mercado e professor da pós-graduação de marketing de serviços, Jorge Gonçalves considera isso uma evidência do potencial ainda inexplorado pelo mercado. “O profissionalismo ainda é um embrião no setor. Poucos têm visão estratégica de marketing e gestão de pessoas, fundamentais para o sucesso do negócio”, afirma.

Grande parte dos empreendedores que opta por ingressar no segmento tem formação em educação física e já trabalhou em empresas da área. Entre as oportunidades estão fabricantes de equipamentos de fitness, academias de ginástica e roupas próprias para atividade física.

O crescimento considerável de academias em 2007 pode ser em parte creditado à expansão acelerada de grandes redes, algumas delas internacionais. Esse é o caso da Citrus Gym, franquia de academias expressas para homens e mulheres lançada pelo americano John Kersh, que tem 12 unidades no Brasil. Os planos de expansão da rede são ambiciosos. Até 2010, quer chegar a 150 unidades no Brasil e demais países da América Latina, com foco também na Argentina, Chile e México.

FRANQUIA. Cada franquia da Citrus Gym fatura entre R$ 25 mil e R$ 30 mil por mês, gerando um lucro líquido de 12% a 20%, de acordo com a região. Roberta Rodrigues já atuava como professora em academias quando decidiu abrir uma unidade da rede em São Paulo. Ela conta que optou pela bandeira por acreditar que o modelo de exercícios em circuito facilita um contato mais personalizado com o aluno. “Tenho a preocupação de saber o nome de todos, assim como suas necessidades físicas”, conta.

O tratamento individualizado é apontado pelo consultor Gonçalves como uma tendência do segmento. Ele explica que os clientes buscam nas academias mais do que simplesmente atividades físicas. Entretenimento e sociabilidade são atrativos para esse público. Portanto, é fundamental treinar a equipe, levar elementos lúdicos para o ambiente e explorar a música de forma inteligente, adaptando-a com os diferentes horários e exercícios. “Ainda há muitos empresários que acreditam bastar investimentos em equipamentos de ponta”, afirma Gonçalves.

De fato, os equipamentos foram destaque na Rio Sports Show 2008, feira dedicada aos lançamentos, que terminou no último sábado. O ponto alto do evento foram as soluções que unem videogames e aparelhos de ginástica, tendência internacional do setor. A maioria dos expositores representava marcas estrangeiras. A estimativa é de que tenham a feira gerado 15% mais negócios do que a última edição, que movimentou R$ 7 milhões no ano passado.

Ainda assim, os equipamentos são bastante valorizados pelos freqüentadores de academias e, principalmente, auxiliam significativamente os exercícios. Os acessórios voltados para atividades físicas aquáticas evoluíram bastante ao longo dos últimos anos, como destaca Flávia Moreno, sócia da Aquática Slade. “Percorríamos as academias para vender nossos produtos e encontrávamos professores jogando pedras na piscina para os alunos buscarem. Hoje, tudo está bastante sofisticado”, conta.

Flávia entrou no mercado há 11 anos produzindo apenas um kit com três produtos feitos de modo artesanal. Hoje, a Aquática Slade oferece cerca de 100 itens e tem uma sede de 1 mil metros quadrados. Além da peças para piscina feitas a base de EVC, um tipo de borracha, a empresa fabrica pesos, caneleiras de ginástica tradicional, camas elásticas para exercícios e revende alguns itens importados, como bolas para prática de pilates. A expansão da linha de produtos aconteceu devido à necessidade dos clientes, as academias de ginástica, de solucionar todas as compras de uma só vez.

Uma fábrica de acessórios para piscina depende da compra de máquinas que podem custar até R$ 100 mil. O recomendado é começar com uma produção artesanal e partir para a mecanização aos poucos, de acordo com o retorno. Desse modo, é possível montar a empresa com aproximadamente R$ 150 mil, em um espaço de pelo menos 100 metros quadrados. Não se deve ultrapassar a contratação de quatro funcionários para que os custos fixos não inviabilizem a produção.

RELAXAMENTO. As atividades aquáticas vêm se popularizando ao longo dos últimos anos por terem menos impacto muscular, sendo interessantes para pessoas mais velhas. Elas seguem uma tendência de busca por relaxamento nos exercícios físicos. Evidência disso é a proliferação rápida de estúdios de pilates e yoga pelas principais capitais brasileiras.

A Metacorpus comprova o potencial promissor do pilates. No mercado desde 2002, a marca já conta com estúdios em sete estados brasileiros e prestam consultoria para empreendedores interessados em abrir o negócio. Ao todo, são 85 estúdios credenciados. De acordo com Gustavo Machado, sócio da empresa, o Rio de Janeiro já possui mais estúdios de pilates do que academias. “Acredito que daqui a aproximadamente quatro anos, o mercado carioca chegará à saturação, mas hoje ainda há um imenso campo aberto. Muitas pessoas não sabem o que significa o pilates”, afirma.

Um dos grandes atrativos dos negócios que exploram esse tipo de atividade, segundo Machado, é a rentabilidade maior se comparado a academias tradicionais. Ele explica que um estúdio terá um faturamento de R$ 650 por metro quadrado, já que o pilates possui um alto valor agregado. Para montar um estúdio de pilates são demandados investimentos de, em média, R$ 22 mil. O espaço deve ter no mínimo 30 metros quadrados, para aulas de até três pessoas. “Para o sucesso, é fundamental investir em divulgação, mesmo que localmente e de baixo custo”, afirma Machado.

EQUIPAMENTOS. A Metacorpus é responsável também pela construção de equipamentos especiais para a prática de pilates. Ao criarem a empresa em 2002, os sócios tiveram dificuldade de encontrar bons produtos a preços acessíveis no mercado e decidiram assumir essa atividade também. Hoje eles já oferecem cerca de 40 itens, sendo que as linhas são produzidas com madeira ecológica, vendida pela Aracruz Papel e Celulose.

»
«

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>